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Samarco ignora prejuízos com a lama de rejeitos de minério, afirmam produtores rurais

20 mil hectares de pastagens foram afetadas pela pluma de rejeitos da Samarco.

Os impactos da lama de rejeitos de minério de ferro que causaram a tragédia na Bacia do Rio Doce no setor do agronegócio em Linhares e região continuam e, desde o rompimento da barragem, no final do ano de 2015, a Samarco tem ignorado os prejuízos causados aos produtores rurais.

A afirmação é do presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Linhares, Antonio Robert Bourguignon. Ele afirma que todos os produtores, dos diversos segmentos agrícolas e da pecuária, que possuem propriedades ao longo das margens do manancial e, agora, mais recente, nas margens da Lagoa Juparanã, estão com prejuízo milionários.

Ele destaca que as terras, que totalizam cerca de 40 quilômetros de extensão, somadas as duas margens do Rio Doce, foram afetadas pela lama, principalmente após a enchente ocorrida no início do ano de 2016.

“Estamos vendo essa situação com muita preocupação, pois o prejuízo é gigantesco, são centenas de milhões a todos aqueles que possuem propriedades às margens do Rio Doce, entre eles, cerca de 20 cacauicultores só em Linhares que foram afetados, diretamente, pela pluma de rejeitos da Samarco. Sem contar esse segundo impacto, que foi a inundação da Lagoa Juparanã, com prejuízos a mais de 100 produtores”, alertou Bourguignon.

Ele acrescenta que há um descaso total por parte da Fundação Renova, que tem a missão de implementar e gerir os programas de reparação dos impactados do rompimento da barragem de Fundão. “Não há um diálogo efetivo da Fundação Renova com o setor e aguardamos um posicionamento da Samarco sobre o assunto. Aconteceram algumas reuniões com a Renova, mas por enquanto, de reparos dos danos, não teve nenhum produtor que foi ressarcido com os prejuízos sofridos”, acrescentou o presidente do Sindicato Rural.

Os produtores rurais também alegam que os danos refletem diretamente na economia do município de Linhares e Baixo Rio Doce, onde mais de 20 mil hectares de pastagens foram afetadas pela pluma de rejeitos da Samarco.

Segundo um levantamento do Sindicato Rural, também sofrem impactos diretos, outros 300 hectares de plantação de banana, toda a cadeia produtiva de piscicultura da Lagoa Terra Alta, com 1,5 milhão de peixes mortos, além das propriedades que cultivam o cacau, uma das principais fontes da economia do município, entre outras culturas que amargam prejuízos com a tragédia de Mariana.

“Imagina quanto o município e o Estado deixaram de receber, via arrecadação de impostos, com as guias emitidas pelo produtor rural? Isso retornaria em benfeitorias para a população, sem contar que os produtores estão com empréstimos vencidos e suas linhas de créditos bloqueadas, devido às dívidas acumuladas ao longo desse período, além dos danos sociais com as inúmeras demissões no segmento do agronegócio. Estamos buscando apenas os nossos direitos com o ressarcimento dos danos causados”, justificou Antonio Robert Bourguignon.

O OUTRO LADO

Por meio de nota, a Fundação Renova informou que já realizou uma reunião com o Sindicato dos Produtores Rurais de Linhares e montou um grupo de trabalho para avaliar os prejuízos e os procedimentos de reparação para os produtores rurais impactados pelo rompimento da barragem de Fundão. “No caso da cheia da lagoa Juparanã, a Renova já está atendendo produtores em função do alagamento”, cita a nota.

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