Estilo de Vida

Idoso que vive em ilha do Rio Doce, em Linhares, contabiliza perdas causadas pela lama

Américo mora sozinho na ilha e reclama de falta de assistência da Fundação Renova

Uma ilha que forma a bacia do Rio Doce, em Linhares, no Norte do Espírito Santo, é a casa do produtor rural Américo dos Santos Filho, de 70 anos. Ele mora no local há 40 anos e diz que sempre viveu das plantações de frutas e da criação de galinhas. A venda dos animais e das frutas garantia a renda mensal.

“Vivo isolado, mas é um isolado por prazer e por gosto. Meu velho pai já estava cansado e pediu para eu tomar conta e aí estou tomando conta até hoje. O que ele deixou está aí”, fala Américo.

Américo dos Santos Filho utiliza água do Rio Doce para fazer tudo na ilha — Foto: Reprodução/TV Gazeta

Américo dos Santos Filho utiliza água do Rio Doce para fazer tudo na ilha — Foto: Reprodução/TV Gazeta

A chegada da lama do rompimento da barragem da Samarco, em Mariana, em 2015, mudou totalmente o cenário na ilha e a vida de seu Américo. O idoso conta que perdeu boa parte dos bichos, que morreram por não poderem utilizar a água do Rio Doce, que estava tomada pelo rejeito de minério. As plantações de feijão, milho e banana que ele mantinha na ilha também morreram.

“Aqui foi aquele desespero, não podia fazer nada. Era aquele óleo que queimava tudo e onde passava o capim morria, aquela gordura por cima, aquela água amarela. Eu fazia plantação de feijão, fazia plantação de milho, colhia banana. Hoje não estou tendo mais nada, estou vivendo do cacauzinho. Vou lá (na Fundação Renova) e só dizem que estou cadastrado, mas não tenho notícia nenhuma”, comentou Américo.

Américo mora sozinho na ilha e reclama de falta de assistência da Fundação Renova — Foto: Reprodução/TV Gazeta

 Foto: Reprodução/TV Gazeta

Simone dos Anjos, que é irmã de Américo, explica que ele tem produzido na ilha apenas para o consumo próprio, porque, além da produção ter caído muito, o que ele ainda consegue plantar é pouco, devido a falta de dinheiro para adubar a terra. Simone revela que o irmão não recebeu nenhuma assistência da Fundação Renova.

“Eu tiraria ele daqui e o levaria para morar comigo, mas isso aqui é a vida dele. Ele fala que não consegue sair daqui e que se tiver que tirar ele daqui ele morre. Antes da situação da Samarco, ele colhia 22 sacos de cacau e depois disso tudo ele colhe um saco, um saco e meio. Hoje em dia ele não tem dinheiro nem para comprar milho para as galinhas, que estão morrendo”, reclamou Simone.

Mesmo com os problemas que precisa enfrentar todos os dias na ilha, seu Américo garante que não pensa em deixar o local. Lá, mesmo sem saber exatamente se pode consumir a água do Rio Doce, ele a utiliza para beber, cozinhar, tomar banho, lavar roupa e cuidar das poucas galinhas que ainda tem no terreno.

“Até hoje estou me sentindo bem, mas você sente um gosto ruim na água, mas não tem jeito, fazer o que, né? Agora as forças estão acabando, o que vou fazer? É entregar para Deus e ver o que faço da vida”, concluiu Américo.

Outro lado

Procurada pela reportagem, a Fundação Renova disse que não vai se manifestar sobre o caso.

Fonte: G1

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